Ofertante ou Mantenedor?

Autor: Luis Nacif pastor da Oitava Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte

No meio cristão evangélico, quando falamos do sustento da obra da igreja local, geralmente a imagem do dízimo nos vem à mente. O dízimo é uma contribuição constante, fiel (daí a expressão: “fulano é fiel nos dízimos”), tão estável quanto a renda do dizimista. Quando falamos em dízimos, não pensamos em algo semestral nem anual, mas em uma contribuição, para a maioria esmagadora dos crentes, pelo menos mensal.

Quando algo especial está por acontecer que exige um gasto extra da igreja, mudamos a nomenclatura e usualmente falamos em levantar ofertas para tais ocasiões. Levantam-se ofertas para a construção de um templo, uma reforma, um projeto de evangelismo ou de ação social, só para citar algumas possibilidades.

Entretanto, um fator complicador é inserido quando se fala em missões. A expressão tradicionalmente usada para falar no financiamento da obra missionária, é a já conhecida “oferta missionária”. Apesar de alguns poucos terem compreendido que ser ofertante para missões é um compromisso tão importante como o do dizimista, no inconsciente da maioria esmagadora dos membros das igrejas evangélicas ainda se pensa nesse tipo de oferta esporádica: depois que dou o dízimo, se sobrar algum dinheiro ou se eu for movido por algum testemunho ou desafio muito tocante, dou uma oferta missionária.

Assim, se levarmos em conta que a palavra “oferta” está carregada de tanta transitoriedade, por que não decidimos passar de ofertantes de missões para mantenedores de missões? Se em nossa cultura o ofertante não o faz de forma constante, por que não ensinamos nossas igrejas a serem mantenedoras de missões? Dessa forma, é melhor todos darmos uma quantia constante para missões que cabem em nosso orçamento familiar, deixando as ofertas para momentos especiais, do que nos esforçarmos para dar um montante maior de vez em quando.

Como mantenedores, e não só ofertantes, podemos caminhar com os missionários em seus projetos com uma perspectiva de longo prazo, com frutos que são colhidos apenas em etapas mais avançadas dos projetos, bem como dar a suas famílias segurança para fazerem seus planejamentos com mais tranquilidade.Uma mudança de mentalidade não acontece da noite para o dia, mas, com certeza, começa com pequenas atitudes de alguns que vão, num efeito dominó, contagiando outros a sua volta.

Por isso, talvez a primeira pergunta que você pode se fazer é: hoje eu sou um ofertante ou um mantenedor de missões?

(Este artigo foi resumido. Leia o texto integral publicado por Grupo Povos e Línguas)

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